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           O passado é uma roupa que não me serve mais

Alguns insistem em dizer que a política na Aldeia se resume a duas posições políticas e que devemos nos alinhar a uma ou a outra. Não. A maioria dos eleitores disse não as duas formas de governar que comandam nossa cidade há mais de três décadas. Alguns escolheram o caminho da omissão como forma de protestar e só de abstenções, nulos e brancos chegamos a quase 70 mil votos. Por outro lado, somadas as candidaturas que se apresentaram como alternativa aos velhos padrões do fazer político, alcançamos quase 30 mil votos. Ou seja, se os números não mentem, a maioria dos eleitores e eleitoras quer sim uma nova política. Assim como a sociedade contemporânea não se resume mais a esquerda ou direita e a busca por direitos extrapolou a luta de classes, a política em Gravataí não comporta mais apenas duas formas de ver o mundo. As diferenças tão destacadas em qualquer roda de conversa também precisam ter vez e voz nos processos eleitorais, isto é, todas candidaturas que se apresentaram para além das duas que concorrem desde a década de 80 do século XX têm legitimidade para tanto e viram o tamanho de sua representatividade nas urnas sem o uso dos velhos artifícios da velha política.
Há aqueles que, infelizmente, se posicionaram de um lado apenas para derrotar o outro e vice versa. No entanto, este velho e surrado grenal não tem permitido a Gravataí avançar no que diz respeito à administração pública. Temos andado em círculos e quem mais perde é a população gravataiense já que nosso município, apesar de ser uma das maiores economias do Rio Grande do Sul e do Brasil, apresenta índices de desenvolvimento humano degradantes em várias áreas,  como é o caso da segurança pública e do saneamento básico.
E para reforçar que o passado deve ficar no passado, nada melhor do que lembrar de uma das mais belas vozes da cultura brasileira que estaria de aniversário ontem, Elis Regina, e que nos deixou esta bela interpretação...  “Você não sente, não vê... Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo... Que uma nova mudança em breve vai acontecer... O que há algum tempo era novo, jovem... Hoje é antigo... E precisamos todos rejuvenescer... No presente a mente, o corpo é diferente... E o passado é uma roupa que não nos serve mais.”
   
Anabel Lorenzi, 18.03.2017




           
            A nova política

Ainda sobre as eleições de domingo, em Gravataí, avalio como uma grande vitória ter feito quase 24 mil votos sem o poder econômico (nossa campanha foi infinitamente menor do que as que alcançaram os primeiros lugares), sem usar a máquina pública para fazer obras até na madrugada, sem mentir e enganar a população, sem prometer o que seria impossível cumprir, sem manipular pesquisas para induzir o voto dos despolitizados, sem nenhum medalhão pedindo voto por mim, sem cometer ilegalidades apostando na impunidade.
Atribuo o excelente resultado à aliança formada por 9 (nove) partidos que se uniram para superarmos a velha política que tem feito tão mal ao nosso município, à parceria com o vereador Dilamar Soares, nosso candidato a vice-prefeito, que dedicou-se de corpo e alma a este  projeto, à equipe aguerrida que trabalhou incansavelmente, de forma voluntária, todos os 33 dias de campanha e aos milhares de eleitores e eleitoras conscientes que mantêm firme a esperança em dias melhores e que não abriram mão do seu direito de escolher quem comandaria os rumos de nossa querida Gravataí pelos próximos 4 anos.
Além de ter apresentado uma candidatura alternativa aos velhos coronéis que são  símbolo do atraso em nossa cidade, acredito ter cumprido um papel pedagógico nesta eleição, pois, a cada diálogo, a cada debate e a cada proposta apresentada para o nosso povo tive a oportunidade de falar sobre política de forma verdadeira e sincera. Tenho certeza que colaboramos com o fortalecimento da consciência crítica do eleitorado gravataiense e ajudamos a plantar a semente da esperança em nossas crianças e adolescentes.
Por isto tudo, mais uma vez, muito obrigada! Parafraseando Darcy Ribeiro, fui derrotada nesta batalha, mas meus fracassos são minhas vitórias, pois detestaria estar ao lado dos quem me venceram. Seguiremos na luta e na resistência!

Anabel Lorenzi, 16.03.2017





           A eleição da vergonha

Findado mais um processo eleitoral em Gravataí, faz-se necessário um pouco de análise dos números e das práticas vistas neste período. Primeiro, importante dizer que, dos mais de 187 mil eleitores aptos a votar, quase 70 mil simplesmente não foram às urnas ou votaram em branco ou nulo. Ou seja, mais de um terço dos eleitores deram um claro recado aos políticos: não acreditamos mais em ninguém, nem na política. Sabemos que esta atitude não resolve absolutamente nada, pois no sistema eleitoral brasileiro alguém sempre acaba sendo eleito, mas o recado foi dado. Outro número que chama a atenção é o do candidato escolhido pelo povo para governar nossa cidade pelos próximos quatro anos. Sua rejeição esteve perto da casa dos 50%, durante quase todo mandato, e o resultado final mostrou uma diminuição em relação aos votos conquistados por ele em 2012. Podemos depreender daí que, mesmo estando no poder durante o último período e podendo mostrar realizações, não conseguiu manter seu eleitorado fiel. Ou seja, há sim um descontentamento latente em relação à atual gestão e seu modo de administrar.
Segundo, faz-se urgente denunciar o uso das velhas práticas eleitorais tão perniciosas ao fortalecimento de nossa frágil e recente democracia. O que vimos foi o uso desavergonhado da máquina pública chegando ao absurdo de vermos asfaltos e praças sendo inaugurados na véspera da eleição. Em qualquer país sério esta seria uma prática passível de impugnação da candidatura e de cassação do mandato; porém, no Brasil este tipo de obra eleitoreira ainda é aplaudida, reconhecida como uma “excelente” estratégia eleitoral e servindo para enganar os eleitores com pouca consciência política que aceitam migalhas dos gestores enquanto seus direitos mais fundamentais foram violados ao longo dos quatro anos anteriores. Além disto, campanhas milionárias com dezenas de carros de som, milhares de militantes até uniformizados, materiais publicitários aos borbotões e dinheiro vivo sendo distribuído como forma de comprar o voto dos mais humildes foi o que vimos em Gravataí. Tal situação por si só já deveria chamar a atenção da Justiça Eleitoral, no entanto, tudo acontece nas barbas daqueles que deveriam buscar a lisura do pleito sem que nada acontecesse.
Necessário também lembrar que vimos um festival de mentiras e promessas absurdas, pois impossíveis de serem viabilizadas. Testemunhamos ainda a presença, ao longo de toda campanha, de um ex-candidato cassado contrariando determinação judicial e agindo como se candidato fosse, a figura de uma mulher utilizada como marionete de alguém que está impedido de assumir qualquer cargo público e até de votar, a utilização de ações violentas para inibir outras candidaturas participantes do pleito, o uso de documentos falsos para confundir a população e pesquisas compradas com o objetivo de manipular a opinião do eleitor.
Sim. As eleições em Gravataí foram uma vergonha, pois as velhas práticas políticas dos velhos coronéis do século XIX estiveram presentes sem nenhum pudor ou escrúpulo.
Neste cenário, em torno da nossa candidatura reunimos centenas de mulheres e homens aguerridos que sonham com um tempo novo para nossa querida Gravataí. Buscamos durante todo processo garantir a lisura do pleito e por isto, de forma coerente e corajosa, entramos com ações junto à Justiça Eleitoral para impedir que, mais uma vez, nosso povo fosse enganado. Também realizamos nossa campanha sem o uso de mentiras e falsas promessas, sem o uso da máquina pública, sem nenhum figurão ao meu lado manipulando, sem ataques aos adversários e sem o uso da velha prática do toma-lá-dá-cá.
Ao encerrar mais este pleito, mesmo não tendo vencido as eleições, sinto que cumpri meu dever e que tive mais uma vitória política, pois colaborei com o fortalecimento da democracia ao conquistar mais de 23 mil votos de confiança de cidadãos e cidadãs que não se deixaram enganar pelas velhas práticas.  Saio com o sentimento de dever cumprido, pois colaborei com o fortalecimento do protagonismo das mulheres na política, apresentei uma alternativa viável à velha polarização que não tem ajudado em nada nossa cidade a sair do atoleiro em que se encontra há décadas e fiz uma campanha verdadeira oferecendo ao nosso povo o que de melhor acumulamos ao longo de muitos anos de trabalho e dedicação à causa dos mais sofridos.  Agradeço, mais uma vez, a todos que confiaram seu voto no nosso projeto. A luta valeu a pena! Seguiremos na resistência. Seguiremos na luta. Até breve!

Anabel Lorenzi, 14.03.2017





           Por mais ética na política    


Ao encerrar mais um processo eleitoral, urge avaliarmos os resultados e refletirmos sobre o cenário político em Gravataí, a nossa querida Aldeia, afinal de contas entendo que uma campanha precisa ser, acima de tudo, um processo pedagógico a ser vivido por eleitos(as) e eleitores(as).
Acredito, em primeiro lugar, quando se trata das eleições majoritárias, que não houve vencedores nem vencidos já que ainda não sabemos quem governará nosso município a partir de 2017. Vimos, ao longo do processo, o uso da máquina pública, o abuso do poder econômico, pesquisas eleitorais fantasiosas, calúnias contra adversários, ameaças, promessas sem fim e candidatos com ficha suja disputando o pleito, enfim, a surrada e velha política. Infelizmente, muitos eleitores e eleitoras ainda se deixaram levar por todas estas antigas práticas que tão mal fazem à sociedade brasileira. Os motivos para milhares de pessoas caírem nestas armadilhas do poder são muitos e variados. Talvez as melhores justificativas caibam dentro do argumento de que nosso país ainda precisa avançar, e muito, no que diz respeito à educação cidadã (a cultura da corrupção e do jeitinho brasileiro está impregnada em nossa sociedade e influencia de maneira determinante na escolha dos eleitores) e de que a pobreza ainda campeia, principalmente em momentos de crise econômica, direcionando as escolhas políticas do eleitorado. Por outro lado, milhares (quase 60 mil eleitores) optaram por não participar do pleito votando nulo, em branco ou se abstendo, numa clara demonstração de que não concordam com o sistema eleitoral vigente. Escolheram o caminho da omissão como resposta à má política. A partir deste quadro, acredito que nossa amada Gravataí foi, de fato, quem mais perdeu nesta eleição, já que não conseguiu dar um salto para o futuro escolhendo uma nova forma de fazer política baseada em alguns pressupostos, tais como, a busca do bem comum, a lisura, a transparência, o diálogo e o respeito.
Quero, neste sentido, reafirmar que os 25.756 votos de confiança que recebi foram conquistados a partir de uma campanha limpa, séria, honesta, propositiva, ética, respeitosa e que dialogou intensamente com a população para construirmos juntos uma nova Gravataí. Mais uma vez, agradeço a todas e todos que não se omitiram do processo e que escolheram o nosso projeto para governar Gravataí no próximo período.
Em meio a tantas expectativas sobre o que há de vir, espero, do verbo esperançar, que do velho brote o novo, que da indignação brote uma atitude, que da desilusão brote a esperança, que da mentira brote a verdade, que das injúrias brote o respeito, que do ódio floresça o amor e que, juntos, possamos viver tempos novos onde a política seja feita com ética. Gravataí e o nosso povo merecem dias melhores! Fé na vida... fé no que virá!

          Anabel Lorenzi, 04.10.16




   Educação de qualidade, trabalho e cidadania   


   Vivemos tempos paradoxais. Enquanto a legislação brasileira avançou no sentido de garantir aos jovens brasileiros acesso à educação independente de cor, idade, credo ou gênero, na prática, o que vemos é uma sociedade onde as desigualdades são marcantes e onde a educação oferecida à juventude não reponde aos desafios próprios desta fase da vida. Pesquisas mostram que o Ensino Médio é cursado até o seu final por apenas 54,3% dos jovens até 19 anos, segundo a ONG Todos pela Educação. Já no Ensino Superior, o percentual de jovens entre 18 e 24 anos pulou de 10,5%, em 2004, para 16,5%, em 2013. Porém, se comparado com outros países como Argentina (40%), nosso índice é pífio, apesar dos avanços. 
   O quadro aponta dois gargalos. Primeiro, está o tema da permanência dos jovens no Ensino Médio. Praticamente os que evadem e não concluem este nível de ensino são os mesmos que procuram no mercado de trabalho uma forma de colaborar com o sustento da família ou que são enredados pelo crime. A maioria dos jovens mortos nas periferias das grandes capitais é composta por jovens negros e pobres que não concluíram nem o ensino fundamental. O Mapa da Violência diz que, das 56.337 vítimas de homicídio no Brasil, em 2012, 30.072 eram jovens de 15 a 19 anos.
   O segundo aspecto remete à baixa qualidade do Ensino Superior ofertado, tendo em vista o caráter mercadológico assumido por um grande número de instituições de ensino. Sabe-se, inclusive, que algumas estão capitalizadas por empresas transnacionais que têm como principal meta a lucratividade e não a oferta de educação crítica e voltada para formação de cidadãos e cidadãs.
  Diante deste quadro, evidencia-se a necessidade de um novo sistema educacional que garanta não só o acesso, mas a permanência dos jovens através da priorização da qualidade. O próprio conceito de qualidade precisará, também, ser revigorado a partir da articulação do ensino com a realidade brasileira, com o setor empresarial e com a construção de valores que estejam a serviço da cidadania e não da lógica do consumo.
  Neste novo cenário, a inserção do jovem no mercado de trabalho se caracterizará como uma oportunidade de inclusão social que potencializa a cidadania, ou seja, a prática de deveres e a garantia de direitos, e não apenas uma inserção como sujeito consumidor. Enfim, o mundo do trabalho se constituirá para os jovens que estão ingressando neste novo ambiente como uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e de práticas de transformação social que colaborarão com a construção de uma sociedade justa e plena de direitos. Cidadania e trabalho andarão juntos. 

  Anabel Lorenzi, 10.12.15



            ECA: 16 anos



O tema da infância e da adolescência tem sido pauta, nos últimos anos, de muitos estudos, pesquisas e proposições. A principal conquista do período foi, sem dúvida, o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. No entanto, ainda nos perguntamos se seu objetivo foi alcançado, ou seja, se crianças e adolescentes têm garantidos, na integralidade, seus direitos. Desde a promulgação da Lei Federal 8.069 que o instituiu, em 13 de julho de 1990, a sociedade brasileira tem buscado trilhar os caminhos que garantam o previsto na legislação. Entretanto, não tem sido tarefa fácil tendo em vista, inclusive, o desconhecimento e a interpretação inadequada do preceituado no Estatuto.
Cabe-nos, portanto, neste momento em que o ECA encontra-se na adolescência, reafirmarmos os avanços e as importantes conquistas materializadas, por exemplo, no aumento da matrícula no ensino fundamental, na redução da taxa de mortalidade infantil e no combate ao trabalho infantil. É fundamental, no entanto, lembrarmos dos desafios a que somos chamados diariamente, em especial, a crescente violência contra a criança e o adolescente nas grandes cidades, o aumento do número de crianças portadoras do vírus HIV/AIDS, a existência de milhares de crianças ainda sem registro civil e a permanente evasão escolar de adolescentes.
Assim, no curso das comemorações dos 16 anos de existência do ECA, é necessário que possamos contribuir na mobilização dos diversos atores sociais responsáveis pela consolidação do Estatuto, bem como pelo pleno funcionamento do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente. O engajamento do conjunto da sociedade, bem como da comunidade, da família e do Estado é condição sem a qual não viabilizaremos uma infância e uma juventude com dignidade e feliz
Para efetivarmos mudanças culturais e de comportamento que garantam o respeito e a promoção do desenvolvimento integral do público infanto-juvenil confirma-se a necessidade de que cada um assuma sua responsabilidade e não jogue para o outro o compromisso com aqueles que são o sustentáculo de um mundo novo.  É preciso que todos se comprometam definitivamente com a implementação do Estatuto a fim de que se consolide o princípio previsto na Constituição Federal, qual seja, de que a criança e o adolescente são “prioridade absoluta”.
Tal priorização deve concretizar-se nos orçamentos públicos, isto é, os governos municipais, estaduais e federal precisam disponibilizar recursos a fim de que as políticas públicas para infância e adolescência sejam viabilizadas. Falar em prioridade absoluta e não investir em programas que retirem nossos adolescentes das ruas, que não protejam nossas crianças da violência ou que não garantam formação aos mais empobrecidos é, no mínimo, irresponsabilidade política. À sociedade cabe propor, acompanhar e fiscalizar os gastos com o público infanto-juvenil a fim de que não ocorram omissões, desvios, negligências ou coisas semelhantes. Um presente e um futuro melhor para crianças e adolescentes depende de nós!                                                                                                 
Anabel Lorenzi, 20.07.2006                                                                                                                


            Proteja como se fosse sua filha!

Assim começa uma campanha nacional que objetiva prevenir a exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas brasileiras: proteja como se fosse sua filha! Sabemos que, dentre as violências cometidas contra a infância e a juventude, a sexual é uma das mais presentes na vida de nossas crianças. Varia de abuso sexual, estupro até a exploração sexual. O Brasil, infelizmente, está na rota mundial do turismo sexual e é muito comum meninas e meninos na mais tenra idade já pertencerem a este circuito que rouba a dignidade da infância brasileira.
Há alguns anos atrás ouvíamos falar no assunto como sendo uma realidade apenas do nordeste de nosso país. Hoje, a cada dia que passa, vemos crescer nos centros urbanos do sul a participação de crianças e adolescentes neste que é um dos mercados clandestinos mais rentáveis dos países do terceiro mundo. Em Gravataí, não estamos distantes desta triste situação. Nas rodovias que cortam nosso município, aumenta visivelmente a presença de jovens meninas oferecendo seus corpos como mercadoria aos motoristas que trafegam de uma cidade a outra. Sabemos que estas meninas não estão lá por conta própria e que, normalmente, há adultos operando o negócio a fim de explorá-las sexualmente.
Somos sabedores, ainda, de que esse é um processo que envolve toda sociedade, tendo em vista a erotização precoce da infância no mundo globalizado. Tal problema insere-se no contexto geral da banalização da sexualidade tão propagada pelos meios de comunicação brasileiros e tão facilmente digerida por nossas famílias. Vivemos um período vazio de referências, sendo que, muitas vezes, na ânsia de preencher este vazio, ganha espaço o “vale tudo”. Assim, as drásticas mudanças culturais pelas quais a sociedade contemporânea passa têm conduzido as meninas, desde a infância, a irem adotando comportamentos cada mais precoces, antecipando, por  conseqüência, o despertar da sexualidade.
 Este processo de erotização da infância é um dos elementos presentes na exploração sexual de meninas e meninos, já que a partir dele criou-se um mercado de consumo entre o público adulto. Ou seja, essa nova infância precocemente erotizada pode gerar estímulo à exploração de sua sexualidade. Não é à toa que crescem os casos de pedofilia verificados na Internet, pois, além da mídia tradicional, este novo veículo de comunicação faz uso (e abuso) da infância como objeto sexual.
Enfim, várias são as causas da situação na qual se encontram diariamente muitas jovens meninas em nossas estradas. Aqui, apenas algumas foram referidas a fim de que possamos repensar nossa postura frente a um tema que ainda é tabu em muitos círculos sociais. Além disso, enquanto Estado, é preciso que ocorra uma forte ação no sentido de prevenir e combater este negócio que humilha e mata nossa infância. Que possamos, afinal, protegê-las como se fossem nossas filhas!!


      Anabel Lorenzi,  08.05.2006




            08 de março – Dia Internacional da Mulher

A referência histórica principal das origens do Dia Internacional da Mulher é a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em 1910, em Copenhague, na Dinamarca, quando Clara Zetkin propôs uma resolução de instaurar oficialmente um dia internacional das mulheres. Nessa resolução não há nenhuma alusão ao dia 08 de março. Clara apenas menciona seguir o exemplo das socialistas americanas. É certo que a partir daí, as comemorações começaram a ter um caráter internacional, expandindo-se pela Europa, a partir da organização e iniciativa das mulheres socialistas.  Em 1921, a Conferência das Mulheres Comunistas aprova, na 3ª Internacional, a comemoração do dia Internacional Comunista das Mulheres e decreta que, a partir de 1922, será celebrado oficialmente em 08 de março. Em 1975, a ONU decreta , de 75 a 85, a Década da Mulher e, em 1977, a Unesco encampa a data 08 de março como Dia da Mulher relembrando, também, as 129 mulheres queimadas vivas durante uma greve de operárias da indústria têxtil, em Nova Iorque. 
Atualmente o dia 08 de março tornou-se uma data um tanto festiva, com flores e bombons. Para outros é relembrada sua origem marcada por fortes movimentos de reivindicação política, trabalhista, greves, passeatas e muita perseguição política. O início do século XX, marcado por intensas mobilizações de trabalhadores, viu surgir, assim, a  participação  das mulheres operárias, suas manifestações, suas greves, sua capacidade de organização autônoma de lutas, sendo que a batalha pelo direito ao voto para as mulheres, ou seja, o sufrágio universal, era uma das maiores bandeiras de luta.
No Brasil, nas primeiras décadas do século XX, o grande tema político foi a reivindicação do direito ao voto feminino. Berta Lutz, a grande líder sufragista brasileira, aglutinou um grupo de mulheres da burguesia para divulgar a proposta. Ousadas, espalharam de avião  panfletos sobre o Rio de Janeiro, pedindo o voto feminino, no início dos anos 20! Pressionaram deputados federais e senadores e se dirigiram ao presidente Getúlio Vargas. Afinal, o direito ao voto feminino foi concedido em 1933 por ele e garantido na Constituição de 1934. Mas só veio a ser posto em prática com a queda da ditadura getulista, e as mulheres brasileiras votaram pela primeira vez em 1945.
A partir do movimento feminista, surgido nas décadas de 60/70, várias organizações formaram-se com o objetivo de refletir e encaminhar soluções para os problemas relacionados à questão de gênero. A famosa queima dos sutiãs simbolizou a luta pela autonomia das mulheres que até então eram consideradas, ainda, como seres não tão capazes quanto os homens.
Mais recentemente, a Marcha Mundial das Mulheres tem se consolidado como uma articulação feminista internacional. Desde 2000 a Marcha construiu sua força e legitimidade organizando as mulheres em torno de uma agenda radical, feminista e anticapitalista. Neste  trajeto sua estratégia foi fortalecer a auto-organização das mulheres combinada com a presença nos movimentos sociais. A perspectiva é a construção de um projeto de transformação da sociedade que incorpore uma visão feminista e as mulheres como sujeitos políticos. A Marcha Mundial das Mulheres é uma ação de movimentos de mulheres do mundo todo para combater a pobreza e a violência sexista e romper com valores e condições materiais que sustentam o machismo, a opressão e a exclusão na nossa sociedade. Dentro de sua programação, está a viagem, a partir de hoje, 08 de março de 2005, de uma Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade, por 50 países, até chegar, em 17 de outubro, a Burkina Faso.
Transcrevo um dos trechos da referida Carta:
“Nós, as mulheres, há muito tempo marchamos para denunciar e exigir o fim da opressão que vivemos por sermos mulheres e para afirmar que a dominação, a exploração, o egoísmo e a busca desenfreada do lucro produzem injustiças, guerras, ocupações, violências e devem acabar.
Das nossas lutas feministas e das lutas de nossas antepassadas de todos os continentes, nasceram novos espaços de liberdade para nós, para nossas filhas e filhos, para todas as crianças que, depois de nós, caminharão sobre a terra.
Estamos construindo um mundo no qual a diversidade é uma virtude; tanto a individualidade como a coletividade são fontes de crescimento; onde as relações fluem sem barreiras; onde a palavra, o canto e os sonhos florescem. Esse mundo considera a pessoa humana como uma das riquezas mais preciosas. Um mundo no qual reinam a igualdade, a liberdade, a solidariedade, a justiça e a paz. Este mundo nós somos capazes de criar.
                                                                                                                                                   Anabel Lorenzi, 08.03.2005

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